Palestra Sobre Drogas  
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DROGAS X TRABALHO

Dependência química de empregados provoca danos pessoais e prejuízos
Corporativos

OSWALDO RIBAS


Droga e trabalho combinam? Para a maioria dos especialistas, médicos, agências governamentais de saúde e entidades empresariais, no Brasil e no exterior, a resposta é uma só: não.

Tanto que seu consumo entre a população economicamente ativa é considerado um hábito extremamente negativo e responsável por gigantescas perdas patrimoniais no cotidiano das empresas, além de provocar despesas imprevisíveis para osórgãos de saúde pública em geral.

Dados divulgados pela Organização Mundial da Saúde (OMS) indicam que o funcionário sob efeito de droga utiliza, em média, 67% da capacidade de trabalho e ainda tem o triplo de probabilidade de chegar atrasado ou faltar ao serviço. Somados os custos diretos, como licenças médicas, e indiretos, que
incluem acidentes, faltas e atrasos, os distúrbios provocados pelas drogas que acabam sendo arcados pelos empregadores, tanto privados quanto públicos, ascendem a várias centenas de bilhões de dólares todos os anos. Só nos Estados Unidos essa cifra está avaliada em US$ 100 bilhões.
"Quando se trata de medir os prejuízos causados pelas drogas no ambiente de trabalho, os números impressionam", afirma Karen Garrett, psicóloga norte-americana, diretora da River Region Human Services e professora da Nova University e do Springfield College, nos EUA.

Em recente visita a São Paulo para participar de seminário na Federação do Comércio do Estado de São Paulo (Fecomercio SP) sobre prevenção ao uso de drogas no ambiente do trabalho, realizado pelo Conselho Estadual de Entorpecentes (Conen) e pelo Conselho Municipal de Políticas Públicas de Drogas e Álcool (Comuda), com o apoio do Consulado Geral dos Estados Unidos, Karen trouxe as últimas estatísticas do governo norte-americano, segundo
as quais, naquele país, 40% das mortes e 47% das lesões que ocorrem nas indústrias estão ligadas de alguma forma ao uso de álcool ou drogas ilícitas, como maconha, cocaína e heroína. "No Brasil, os prejuízos também devem ser de grande vulto, como, aliás, se vem observando em todo o mundo, numa tendência que precisa ser revertida", afirma ela.

A dimensão do problema é maior ainda, segundo Karen, quando se considera que a maioria dos usuários de drogas, ao contrário do que até agora se supunha, está empregada no mercado formal de trabalho: dois terços deles encontram-se em alguma empresa ou órgão público e, desse contingente de milhões de indivíduos, 10% usam substâncias tóxicas também durante o expediente de trabalho. "A queda de produtividade do funcionário que é dependente químico e a constatação de que as drogas provocam absenteísmo e acidentes muitas vezes fatais foram descobertas essenciais que desencadearam, no mundo corporativo, a
Karen Garrett: dados sobre os EUA /necessidade de as empresas adotarem programas preventivos para controlar e eliminar esse tipo de ocorrência no ambiente profissional", diz a especialista.
Para Karen, que defende com veemência os programas de prevenção e recuperação do usuário de substâncias químicas, o impacto financeiro da droga numa empresa ultrapassa em muito os custos com sua erradicação. "O maior entrave surge quando a empresa não aceita a informação de que o consumo de drogas existe em qualquer setor social e que o ambiente de trabalho, logicamente, não está imune a ele", reforça a professora, alertando que a advertência é ainda mais contundente quando se sabe "que o uso de drogas no ambiente profissional não se restringe aos escalões de nível médio e inferiores, mas está também nos cargos de chefia."

Nos Estados Unidos, estima-se que o consumo de substâncias ilícitas contabilize anualmente cerca de 30 mil mortes, enquanto 100 mil acidentes fatais ocorram devido ao uso de álcool. O tabaco, outra droga que vem sendo combatida nos escritórios, lojas e fábricas, é hoje responsável por aproximadamente 400 mil óbitos prematuros.

No Brasil, as informações a respeito da magnitude do problema são ainda escassas, embora seja possível observar o crescimento da criminalidade relacionada ao tráfico de substâncias químicas, evidenciado nos recentes episódios policiais que conseguiram paralisar São Paulo e vêm tornando o Rio de Janeiro quase cenário de uma guerra civil. Uma das poucas pesquisas a respeito de drogas no ambiente de trabalho no país, realizada em 107 cidades do território nacional pelo Centro Brasileiro de Informações sobre Drogas Psicotrópicas (Cebrid), da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), registrou a dependência de álcool em 11,2% dos entrevistados. Segundo as conclusões do estudo, essa é a droga que mais problemas causa dentro das empresas, seguida pelo tabaco, pela maconha e pela cocaína."Cerca de 73% dos casos registrados em nossa empresa são de alcoolismo; os restantes 27% provêm do consumo que chamamos de cruzado, de álcool mais maconha, e cocaína em menor grau", afirma Regina Fevereiro, coordenadora do Programa de Atendimento e Recuperação do Empregado (PA-RE), em vigor na Sabesp desde 1993, e que já valeu à companhia de água e saneamento básico de São Paulo o título de vencedora do X Prêmio Nacional de Qualidade de Vida.

Profissional do serviço social com especialização em dependência química, Regina conta com entusiasmo que, desde a implantação do programa de prevenção de drogas na Sabesp, as estatísticas mostram tendência de queda de novos casos ou reincidências entre os funcionários.
"Depois de tantos anos trabalhando nessa área, posso afirmar que a dependência química está presente em todas as empresas; o que varia é o grau de incidência e a maneira de tratar o problema", declara. Dos 833 funcionários, num universo de aproximadamente 17 mil, que passaram pelo PA-RE, Regina explica que a maioria procurou o programa em busca de informações e, muitos, com casos de alcoolismo não na empresa, mas em casa, com familiares, que, de alguma forma, também se tornam fator de desajuste do funcionário.

Lembrando que a dependência química é considerada uma doença muitas vezes letal, conforme define a própria OMS, a especialista assinala que o mal, com fortes contornos psicossociais, precisa ser tratado com o objetivo de buscar a recuperação da pessoa. Segundo ela, com os programas preventivos ganham todos, o funcionário, que readquire a auto-estima e reencontra seu papel dentro da sociedade; a família, que muitas vezes vive situações dramáticas e pode voltar ao cotidiano sem sobressaltos; e a empresa, que não só deixa de ter prejuízos como passa a contar com um grau ainda maior de produtividade e de compromisso com os valores institucionais.

Ao ser indagada se, por conta da constatação de casos de alcoolismo, teria havido demissões na empresa, Regina é taxativa: "Nunca". Mas ressalva que o funcionário dependente que não consegue se recuperar e apresenta inúmeras faltas, falhas no desempenho profissional, mau comportamento em grupo pode acabar sendo demitido até por justa causa. "Não é o fato de o indivíduo ter o hábito de consumir substâncias químicas que leva ao seu desligamento da empresa, mas a conseqüência disso, que é, logicamente, um péssimo desempenho
profissional", acrescenta."Hoje, principalmente entre as grandes empresas, não há as que não disponham de programas preventivos", afirma Luiz Alberto Chaves de Oliveira, o doutor Laco, médico especialista em dependência química, presidente do Comuda e chefe de gabinete do Instituto de Assistência Médica ao Servidor Público Estadual. "Isso é extraordinário, se pensarmos que as campanhas com esse objetivo têm apenas cerca de 20 anos", diz ele.

Programa de resultados
Para fortalecer a corrente dos que, como o doutor Laco, defendem com vigor o trabalho de atendimento ao dependente químico, as empresas brasileiras vêm anunciando excelentes resultados com suas iniciativas. Na Volkswagen, por exemplo, o índice de recuperação dos funcionários que participam do programa de prevenção e tratamento é de cerca de 60%. As internações hospitalares por dependência química despencaram em três anos consecutivos e houve redução de 58% das horas não-trabalhadas. Na Avon, outra grande multinacional instalada no Brasil, a média é de 70% de sucesso no tratamento.

Na Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (EBCT), desde sua implantação, os programas alcançaram êxito em 70% dos casos, segundo dados oficiais da companhia estatal. Na Azaléia, fabricante gaúcha de calçados, uma ampla campanha antitabagista levou cerca de 10% dos fumantes a abandonar o vício, o que, de acordo com a empresa, reduziu em muito as horas paradas, com conseqüente aumento da produtividade.
Uma experiência considerada símbolo da campanha brasileira contra as drogas no ambiente de trabalho foi desenvolvida pelo Serviço Social da Indústria (Sesi) do Rio Grande do Sul. A partir de um programa-piloto, que acabou atingindo 39 empresas gaúchas, o uso de drogas lícitas e ilícitas entre 24 mil trabalhadores foi reduzido, provando ser possível melhorar a qualidade de vida dos beneficiados e a produtividade das companhias envolvidas.
Concluído o projeto, com custo quase integralmente arcado pelo Sesi, observou-se que as faltas por motivo de doença ou incapacidade foram reduzidas em 10% e os acidentes de trabalho provocados pelo consumo de drogas lícitas ou ilícitas diminuíram em 34%. Os resultados foram tão promissores que empresas de países vizinhos também ficaram interessadas em conhecer os detalhes de sua implantação. O modelo, baseado na participação dos próprios trabalhadores, que devem elaborar as regras a ser adotadas e participar ativa e democraticamente de todo o processo, também poderá ser implementado na maioria dos estados brasileiros.

Questão de imagem
De acordo com os especialistas, a empresa moderna, hoje, não deve procurar esconder o problema por considerá-lo danoso à sua imagem institucional. "O melhor é, antes, torná-lo público e transparente, pois isso se reverte em benefícios ainda maiores para o prestígio da companhia", assinala Antonio da Costa Luiz, médico e coordenador do programa Eu Sou Mais Eu, de prevenção e conscientização, adotado pela fabricante do setor farmacêutico Schering
do Brasil.

"Na Schering, oferecemos ao funcionário assistência profissional para avaliação, diagnóstico e encaminhamento para internação ou tratamento ambulatorial, também extensiva à família, com recursos já previstos nos planos de saúde", diz Costa Luiz, revelando, ainda, que o alcoolismo
responde por cerca de 80% dos casos. A seu ver, é importante que as empresas divulguem claramente, entre os funcionários de todos os níveis e setores, o acesso universal aos projetos de prevenção e combate ao uso de drogas. "Deve-se deixar claro que o empregado que participar do programa não será demitido, mas, sim, orientado e tratado", continua ele, lembrando que, na Schering, a meta é a qualidade de vida da comunidade e não a punição do portador de uma doença crônica que, se não for percebida a tempo, pode vir a condená-lo à exclusão profissional.
Segundo Karen Garrett, a raiz do problema da dependência química está na maneira como o funcionário, submetido a situações de estresse no trabalho e no dia-a-dia, reage a elas.

"Alguns, infelizmente, apelam para substâncias químicas." A especialista explica que a inclusão dos programas de prevenção em projetos maiores, de qualidade de vida, é estrategicamente importante porque contribui para diminuir o preconceito em relação ao tema. "Há alguns anos, o assistencialismo e o tom acusatório imperavam; hoje, com a mudança de enfoque, falar de drogas nas empresas tornou-se mais fácil." Essa foi, pelo menos, a percepção que ela teve em projetos realizados em várias empresas nos Estados Unidos, entre as quais a AT&T, a Johnson & Johnson e a Maxwell House, para discutir e implementar práticas de prevenção ao uso de drogas.

Outro ponto observado nesses programas, e considerado fundamental, é a participação da diretoria da empresa no projeto antidrogas e a montagem de equipes multidisciplinares que coordenem os trabalhos, formadas por médicos, psiquiatras, psicólogos e assistentes sociais, entre outros profissionais envolvidos com a problemática. Segundo Karen, é mais adequado contar com funcionários treinados para educar, orientar e encaminhar para tratamento eventuais dependentes químicos.

Segurança versus privacidade
São muitos os setores e atividades que sofrem com o problema do funcionário embriagado ou drogado. Empresas de transporte de carga e companhias aéreas, por exemplo, estão no topo do ranking das mais prejudicadas. Embora os testes toxicológicos ainda sejam polêmicos, várias delas adotam diversos controles, entre os quais os mais populares são os exames de laboratório e o chamado bafômetro (o mesmo processo utilizado por policiais rodoviários quando suspeitam que um motorista esteja alcoolizado).

A corrente favorável aos testes considera que as empresas devem utilizar as análises toxicológicas como uma forma de proteger seus funcionários e o local de trabalho dos efeitos nocivos das drogas. Os resultados, de fato, têm demonstrado que a fiscalização com exames toxicológicos, além de ser um forte fator inibidor ao uso, resulta em economia de custos e retorno mais rápido do investimento financeiro e humano nos programas de prevenção e controle. Atualmente, no Brasil, é mais comum as empresas adotarem um sistema misto, com testes aleatórios (por sorteio), semelhantes aos comumente observados nos campeonatos esportivos, e exames universais no processo pré-admissional.
Para alimentar a polêmica, há, contudo, especialistas que consideram os testes uma invasão da privacidade do funcionário e uma medida ilegal do ponto de vista jurídico, especialmente em se tratando de exames pré-admissionais.

Profissões vulneráveis
Dada a complexidade do assunto, as pesquisas ainda são sigilosas e os resultados difíceis de avaliar, mas, hoje, sabe-se que algumas profissões ou atividades profissionais estão mais sujeitas que outras à introdução de substâncias ilícitas no cotidiano dos funcionários. Pela proximidade física com o mundo das drogas, os médicos e enfermeiros, especialmente anestesistas e cirurgiões, são considerados um grupo de risco. Não raro, por exemplo, ummédico, sujeito a uma carga de trabalho extenuante, pode vir a buscar o auxílio de uma droga para suportar o estresse. Sabendo-se que a morfina, com duas a três vezes de uso, podetornar a pessoa dependente, não é difícil concluir qual é a possibilidade de incidência desses casos num ambiente hospitalar.

Entre caminhoneiros e motoristas de ônibus, as drogas mais utilizadas são as anfetaminas, e o motivo disso é óbvio: esses profissionais precisam ficar acordados por longos períodos, muitas vezes em trajetos monótonos. Em ambientes que já chegaram até a ser glamourizados pelo cinema, operadores das bolsas de valores, advogados, políticos, publicitários e jornalistas estão entre os profissionais que, à procura de estímulos constantes para produzir intensamente, em locais de trabalho altamente competitivos, também podem se tornar suscetíveis ao uso de drogas. Cocaína e álcool estariam entre as de maior circulação nesses meios profissionais.
Nas artes, em busca de "criatividade" ou também para enfrentar jornadas extenuantes, o profissional pode procurar apoio psicológico em substâncias como maconha, cocaína ou heroína. Pelas características das atividades portuárias, em que há forte incidência do fluxo de drogas, as categorias dos marinheiros e dos estivadores também foram incluídas entre as pertencentes aos grupos de risco.

As novas gerações, em início de vida profissional, também podem enfrentar vários tipos de dificuldades. As chamadas drogas da moda, como o ecstasy e ácidos, embora consumidas longe do ambiente de trabalho e mais comumente em baladas de fim de semana, acabam debilitando a capacidade individual de exercer, com propriedade, as tarefas profissionais durante a semana de trabalho.


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